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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

O que se come por aqui - IV

Eu sei, eu sei!!! Sumi sem dar justificativas!!
Mas sabe o que é... por mais que as vezes isso não fique transparente aqui, eu não vim à França a passeio!! Eu vim fazer um doutorado sanduíche, e isso, às vezes, me cobra boas doses de transpiração! (e estresse, e noites mal dormidas, e irritação, e falta de paciência, e desgaste mental e intelectual, e... e... e...)

Mas agora que as coisas acalmaram um pouco, voltarei a ser mais frequente aqui no blog. E para começar de leve, resolvi fazer mais uma edição do que se come por aqui.

Prato do dia: Fondue.

Graças a grande popularidade desse prato no Brasil (em Gramado então, é tri comum!! custa uma barbaridade, mas é tri comum!) nem vou precisar explicar muito.


Após comprar a mistura certas dos queijos pronta no super mercado (sim, a gente compra pré pronto e é tri bom!!) é só enfregar um dente de alho na panela anti-aderente enquanto ela está se aquecendo. Depois, joga-se a misturinha na panela e, em fogo brando, mexe-se constantemente até que o queijo aqueça e tenhamos uma mistura homogênea.






Depois de quente, coloca-se a panela no seu devido suporte que a manterá aquecida. Antes de começar o processo de aquecimento do queijo, é melhor já ter picado/preparado todos os acompanhamentos, sendo que o mais "indicado" pelos nativos é o pão.







Bom... daí vem o momento da alegria! É só espetar algum dos acompanhamentos, embebê-lo no queijo fundido e dizer: "Bon Appétit".

Créditos a Fabi, que me convidou para o Fondue!

domingo, 11 de janeiro de 2009

Costumes franceses

Nessa semana eu conheci mais um costume francês que é o consumo da galette des rois ou bolo de reis.

Nas proximidades do dia de reis (06 de janeiro) costuma-se consumir um tipo especial de bolo. Ele é feito de uma massa folhada podendo ser recheado com uma pasta de amêndoas ou maçã (pelo menos foram essas as opções que me foram dadas na padaria!!).

A magia por trás desse bolo é que ele vem acompanhado de uma coroa dourada de papel, a coroa do rei. Escondido dentro do bolo vem uma féve que é um pequeno objeto de porcelana. Depois de partido e distribuído os pedaços entre as pessoas, o sortudo que encontrar a féve é o rei do dia. Além de rei, o sortudo deverá oferecer o bolo do dia seguinte, sendo isso válido por um período de aproximadamente 10 dias.

O bolo é gostoso, em especial o recheado com a pasta de amêndoas :)

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Comportamento suíço

No post anterior eu comentei que fui a Zurique, mas não comentei o que achei da cidade e dos suíços. Farei isso agora, um pouco em atraso, mas minha vida tem tido um ritmo bem acelerado ultimamente... tanto que 2008 já está acabando!!!

Zurique é uma cidade interessante, fria, bem fria, porém interessante. Acho que na maior parte do tempo que estive lá foi em temperaturas negativas e com um sensação térmica efetivamente negativa. Zurique me pareceu ser uma cidade com lugar para todo o mundo; com suas pessoas que falam várias línguas (para quem não sabe, uma parte da Suíça fala alemão, outra francês, outra italiano e é claro que tem regiões onde se fala uma mescla de idiomas -- mais detalhes aqui) mais os turistas, me senti na torre de babel.

Pelas vitrines que vi andando pelas ruas, em especial pelo preço das coisas que estavam expostas nas vitrines, definitivamente lá tem gente rica. Tudo muito impagável... mas sabendo procurar se encontra coisas bem acessíveis. Em especial muitos chocolates deliciosos a acessíveis! Que perdição!! Também pelas ruas, tudo é muito limpo, conservado e o que não esta mais conservado está em reforma. Isso dá um certo charme para a cidade.

Para fechar minha explanação sobre os suíços, tenho uma foto que acho que resume tudo. Na estação de trem de Genebra no tempinho que sobrou entre uma troca de trens, aproveitei para ir ao banheiro. Paguei 2 francos (em torno de 4 reais) para usar o banheiro público mais limpo que já vi em toda a minha vida. E quem nunca teve nojo de puxar a cordinha ou a alavanca da descarga em banheiro público? Pois nesse banheiro tinha uma macia e agradável bolinha de borracha acionada com o pé! Como são higiênicos esses suíços!!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

O tão esperado encontro...

Encontro com quem?? Com a neve!!!

Explico-me.

Nas cidades onde eu já morei (São João do Polêsine -> Santa Maria -> Porto Alegre) não neva. O máximo que vi, além de chuva de graniso, foram algumas gotículas congeladas num dia muito frio, que não é neve, logo não conta. No ano passado, nessa mesma época, estive durante 1 mês aqui em Grenoble. Eu via a neve nas montanhas próximas a cidade, até fui esquiar, mas nunca tinha visto nevar, ou seja, eu não sabia qual era o comportamento na neve enquando ela cai. Quando me mudei para cá, pensei, agora sim... vou ficar um inverno inteiro, em algum momento hei de ver nevar.

Tomada pela ansiedade, sempre estava de olho na meteorologia. Numa das vezes que estava previsto neve para a cidade (que, para quem não sabe, ela fica num buraco entre montanhas que é um pouco mais "quentinho", ou seja, raramente neva aqui embaixo!) fiquei na espreita e consegui ver algo que achei que era neve caindo. Depois descobri que aquilo era praticamente chuva congelada! Nota - bem que eu tinha achado aquela neve muito barulhenta - fim da nota. E assim o tempo foi passando, sempre bem frio mas sem neve.

Eis que eu decido viajar, visitar uns amigos em Zurique, onde havia nevado para valer na semana anterior e haviam previsões de mais neve (heavy snow!!!) para o final de semana em que eu estaria lá. Passei um final de semana inteirinho lá e adivinhem?! Não vi cair um único floco se quer!! Até sol teve!! Voltei de lá e adivinhem o que aconteceu na segunda. Sim isso mesmo, nevou em Zurique. Mas o pior não é isso, vocês sabem o que é ainda pior?! No dia seguinte ao que eu sai de Grenoble, nevou em Grenoble!! Simplesmente inacreditável, foi só eu sair da cidade!

Depois de ser motivo do riso de todos os meus amigos aqui eu resolvi que não ia mais ficar na ansiedade. Resolvi que ia parar de querer ver nevar, afinal a neve não parecia querer muito me encontrar.

Pois bem, ao sair da casa de uma amiga ontem a noite percebi que estava chovendo. Olhei melhor porque a chuva era meia estranha, parecia cair mais lentamente. Começei a andar e vi que na verdade estavam caindo flocos de neve que chegavam ao chão já quase derretidos. Voltei para casa me divertindo com aquela "neve", embora tenha chegado em casa ensopada, já que cada floco se transformava em várias gotas d'àgua. Dormi feliz, embora a neve dos meus sonhos fosse um pouco mais "seca" que aquela que eu tinha visto!

Acordei e a primera coisas que fiz foi ver se tinha neve acumulada lá fora. Tinha muito pouco sobre os carros, pensei: "é, já era, foi só aquilo mesmo, bom... pelo menos eu vi algo próximo a neve caindo do céu! Sim, estou feliz, já vi nevar!". Fui para meu laboratório e conforme eu me afastava do centro da cidade eu ia vendo mais e mais e mais neve acumulada. Quando chegou na universidade (meio do caminho) tudo era branco coberto por uns 5 cm de neve. Tive que caminhar sobre a neve pois meu transporte não pode fazer sua rota normal. Nisso começou a nevar. Prato cheio, fui tirando fotos (ver ao lado) como uma abobada que nunca tinha visto nevar (simples e pura realidade). Peguei o ônibus para terminar a outra metade do caminho e cada vez via mais e mais neve. As redondezas do meu laboratório estavam tomadas de neve, coisa de em torno de 10 cm.

Nevou o dia inteirinho e a previsão é de que amanhã seja igual. Foi um dia cheio de descobertas... inclusive a de que fazer bolas de neve para jogar nos amigos é muito barbada :)

domingo, 2 de novembro de 2008

Quase, quase...

Como contei na última postagem, eu estou na espectativa para que neve em Grenoble. Ainda não foi dessa vez, mas ela chegou bem pertinho!! Como essa história de ver neve nas montanhas ainda é novidade para mim, fotografei tudo e compartilho com vocês agora.

Na última quinta (30/10), depois de acordar, fui na sacada para descobrir as condições climáticas, encontro o sol e a montanha que vejo a partir dela coberta de neve. Cliquem na imagem e vejam, tem neve até onde é possível ver entre os prédios.
Chegando no laboratório, onde pode-se visualizar melhor as montanhas, começei a seção de fotos:
Inria e o Dent de Crolles.

Cadeia de montanhas que eu não sei o nome mas que tenho sérias suspeitas de que sejam parte do Maciço de Vercors. Notem que o carro que está passando está com uma camada de neve, pior que só fui ver isso depois que tirei a foto!

Saint Eynard coberto de açucar confeiteiro.

Na sexta-feira, fotografei as montanhas mais para o lado dos alpes, notem os campos bem embaixo cobertos de neve.



Por fim, aquilo que parece uma construção no topo da montanha da foto abaixo é uma estação de ski, a Chamrousse.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Reviravoltas

Essa semana está sendo bem diferente com mudanças nas condições climáticas, no horário e me arrisco até a dizer que o humor das pessoas!

Sábado passado acabou o horário de verão aqui, estamos uma hora adiantados em relação a semana passada. O lado bom é que com o horário de verão no Brasil, diminuiu a diferença de fuso horário e estamos a apenas 3 horas de diferença. O lado ruim é que anoitece mais cedo, às 5 da tarde já começam os primeiros sinais de que o dia está acabando e às 6 da tarde o breu toma conta do dia! Isso complica na volta para casa, especialmente se for de bicicleta! Ainda não consegui saber se a lanterna e a sinaleira da minha bicicleta serão suficientes para me proporcionar uma volta segura, pois chove desde segunda a tarde.

O anoitecer mais cedo + chuva + dias inteiramente cinzas + queda de temperatura, deixaram esse início de semana mais "pesado" que o normal. Mas é bom eu ir me acostumando pois o pior ainda está por vir... tenho um inverno inteiro pela frente! E ainda por cima, nem posso me queixar, pois aqui até que está anoitecendo tarde comparado com outros países como a Suécia, por exemplo!

Para mostrar que essa semaninha promete, colo abaixo a previão do tempo:


Como pode ser visto tem muita nuvenzinha com chuva pela frente. Talvez tenha sol na quinta, mas é incerto, assim como é incerto se vai ter neve nesse mesmo dia. Eu até gostaria de assistir a queda de flocos de neve (já vi neve, mas nunca a vi caindo!), seria a compensação de tantos dias cinzas! Se o sol não der as caras na quinta, por enquanto a previsão aponta a próxima chance só na próxima segunda.

Nesse ritmo de dias cinzas e molhados, parece que as pessoas ficam com expressões mais fechadas que já são naturalmente. Dá uma saudade de comer bergamota naquele solzinho de inverno do meu Rio Grande do Sul amado! Mas já que não posso comer bergamota no sol, tomo vinho dentro de casa mesmo!!

domingo, 26 de outubro de 2008

E o que se bebe?

Vinho!!

Pois bem, a convite de uma amiga (valeu Fabi!), ontem eu fui prestigiar uma feira de vinhos que está acontecendo aqui. O nome da feira é Le Millesime 2008 - 14 e Festival Oenologique & Musical de Grenoble. E é bem isso, degustação de vinhos, alguns alimentos típicos e música, somente coisas que os franceses adoram. Pena que eu esqueci de levar a máquina fotográfica!

Na entrada da feira, tu pode comprar uma taça por 6 euros. Ter uma taça te capacita a degustar os vinhos em todos os estandes. Mas veja bem, é degustar, não é beber. Logo, tu vais receber um golinho de vinho de cada tipo que tu quiseres experimentar. Daí tu faz aquela cena toda: olha o vinho pela taça, sacode, cheira bastante e finalmente toma uma gole. Detalhe: este último ítem nem é obrigatório, pois muitos apenas colocam o vinho na boca e gospem em baldinhos apropriados que ficam a disposição do público. Nem preciso dizer que não desperdiçei um gole se quer!

Encontramos um produtor de vinho de Bordeaux super simpático (nem parecia francês). Ele conversou com tanto empenho conosco, nos mostrou diferenças entre os vinhos, explicou que na vinícula dele tem quartos que ele aluga a visitantes (pequei um cartão pois depois de conhecê-lo me interessei ainda mais em conhecer a região de Bordeaux), mostrou num mapa de onde ele vinha, enfim, foi tão simpático que até compramos vinho dele em retribuição a simpatia. Deixo registrado que deixei de comprar pelo menos 2 garrafas de vinho por feirantes ranzinzas que me serviram vinho com uma cara de: "essa guria só quer beber do meu vinho "de graça", fala esse francês com sotaque, capaz que vai comprar vinho!". E não comprei mesmo!

Existiam também espécies de salas onde um carinha falava enquanto a gente degustava um monte de vinhos de uma mesma região. Ele explicava as principais características um por um enquanto a gente bem sentado ia sorvendo golinhos dos tais vinhos. Nós nem estavamos dando tanto valor assim a esse ritual até alguém perguntar o preço de uma garrafa daqueles vinhos. A faixa de preço era de 35 a 45 euros! Daí percebemos que aqueles aí eram os que não eram oferecidos nos estandes! E foi em torno de 1 hora só degustando vinhos caros! Uma alegria!

De quebra, na parte de alimentos, eu tive a oportunidade de provar escargot!! O bicho já estava fora do caramujo, ele estava "nadando" num molho verde forte, peguei ele com um palito, coloquei na boca e imaginei que era um pedaço de picanha! O gosto não era ruim, era o gosto do tal molho e o bichano tinha textura de um pedacinho de coração de galinha. Nada mal! Provado mais uma das especiarias francesas!

Como nem tudo são alegrias, quando decidimos ir embora, ao chegar perto das bicicletas percebemos que delinquentes tentaram roubar os bancos delas. Os marginais daqui se não conseguem roubar as bicicletas castigam os proprietários por comprarem cadeados caros e resistentes, roubando os bancos. Elas estavam estacionadas numa rua naturalmente bastante movimentada de Grenoble que com a feira ficou ainda mais. Deve ter sido por isso que os delinquentes não conseguiram terminar sua traquinagem. Como dizem aqui: C'est la vie! Mas que as mães dos safados foram bem xingadas, ahhh, isso elas foram!

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Campo Minado

As calçadas francesas são verdadeiros campos minados, só que de cocô de cachorro. É simplesmente imprescionante!! O que impresciona também é a quantidade de donos passeando com seus cachorrinhos/cachorros/cachorrões. E lá vão eles fazendo xixi em tudo que encontram e deixando pequenas/médias/grandes armadilhas pelas calçadas. Sim, aqui também existem donos mal educados (e muitos a julgar pela quantidade de cocôs encontrados) que não recolhem o cocô de seu amado animal de estimação. E olha que existem até uns destribuídores de saquinhos de lixo espalhados pelas calçadas com desenhos ilustrativos para que os donos recolham os rejeitos de seus animaizinhos! Pelo que se vê, esses distribuídores não fazem muito sucesso, não.

Também existem locais específicos para os animaizinhos fazerem suas necessidades. É tipo um cercadinho, em geral com areia e um palanque no meio para instigá-los a erguer a patinha e fazer suas necessidades. Como muitos bixanos fazem suas necessidades alí, é evidente que o lugar fede e tem uma aparência nada agradável. Logo, muitos donos de animais acham anti-higiênico deixar seu amiguinho fazer as necessidades alí. Mas daí não precisava deixar o cocô na calçada, né?!

Quando visitei Voiron eu vi uma placa super instrutiva para os donos de cachorros. Não resisti e fotografei, vejam ao lado. Para quem não entende francês, o cachorrinho da placa diz: "Em Voiron a gente não é porco!!". Ela aponta para um daqueles cercadinhos que falei, e ainda avisa que só faltam 60 metros.

domingo, 5 de outubro de 2008

Cave de la Chartreuse

Ando relapsa com o blog, mas tentarei voltar a ser mais ativa.

Hoje quero contar sobre a visita que fiz a Cave de la Chartreuse que visitei na semana passada. Cave, nesse contexto, é adega e Chartreuse, além de ser o nome de uma cadeia de montanhas é o nome de um licor francês. A receita desse licor foi desenvolvida lãã em 1605 por monges que habitavam num mosteiro nas montanhas e é mantida em segredo até hoje. A receita é uma mistura de ervas e flores (em torno de 130) que dão um gosto característico e peculiar ao licor que pode ser verde ou amarelo conforme a combinação de ervas.

Tudo começou quando os monges resolveram construir o mosteiro nas montanhas em 1084, mas logo viram que ia ser difícil mantê-lo somente com a caça, pesca e o que a montanha oferecia para subsistência. Então primeiro os monges retiravam minérios de minas que existiam nas montanhas e quando este acabou, passaram a cortar e vender madeira. Quando o desmatamento foi proibido na região os monges usaram o conhecimento e estudo que tinham sobre ervas e desenvolveram a receita do licor. Garrafas do licor eram levadas no lombo de mulas do monastério até Grenoble e vendidas para militares e senhores da corte como um elexir da vida.
Em pouco tempo o licor tornaria-se famoso nacional e internacionalmente.

Nisso, veio a ruptura entre o estado e a igreja e os monges foram expulsos do mosteiro, levando a receita para um outro mosteiro na espanha. Passada a crise, os monges voltaram. Houve mais umas trocas de cidades até que em 1930 a Cave que fomos visitar fosse inaugurada (foto) em Voiron. Ela é a maior cave de licor do mundo, segundo a explicação da nossa guia. A ripa branca tem um cano transparente que mostra a quantidade de licor dentro da pipa. Os baldinhos são para conter as gotas dos vazamentos!! O cheiro do local é aquele cheiro que quem já visitou um alambique sabe qual é misturado com um cheiro de ervas.

A visita é bem interessante e gratuíta. Cada grupo de pessoas sai com uma moçinha para explicar e tirar dúvidas. A primeira atividade é ver um video que conta a história do pergaminho com a receita. Depois percorre-se a cave, ida e volta, em toda a sua extensão ( foto). Em seguida assiste-se um outro video que conta a história do mosteiro até chegar na cave atual em Voiron. Só que este útimo é em 3D e visto com um óculos especial, o que o deixa bem interessante! Saíndo do video visita-se o alambique e descobre-se que as ervas vêm mosteiro já separadas conforme o tipo do licor, são trituradas no andar acima e caem por tubos para os alambiques. Ou seja, visitamos mas não vimos um raminho de erva sequer! Depois vem a tão esperada degustação! A saída da sala de degustação é por uma loja onde tem uma série de idéias de presentes além dos licores, obviamente.

Aproveitamos também para andar pela cidade e tirar algumas fotos das construções antigas. Em resumo, foi um passeio bem interessante e super econômico.

domingo, 28 de setembro de 2008

No Supermercado

Toda vez que vou ao supermercado, lembro que preciso contar aqui que os produtos da marca do supermercado são muito bons aqui. O que nem sempre acontece no Brasil. Um bom exemplo é o iogurte. No Brasil, os iogurtes da marca Carrefour por exemplo eram uma verdadeira "aguarela" e virado em corante e gosto artificial. Aqui, encontram-se iogurtes, também da marca Carrefour, que tem concistência de iogurte, gosto de iogurte e até pedaços de frutas!!

Foi uma surpresa boa descobrir isso. Na verdade, alguns amigos que moravam aqui a mais tempo me alertaram: "tu pode comprar os produtos da marca do supermercado que vai ser bom e mais barato!".

Possivelmente, os produtos da marca do supermercado não sejam o supra-sumo do que há em matéria de paladar, mas para o meu está de muito bom tamanho. E o meu bolso agradece!

sábado, 27 de setembro de 2008

O que se come por aqui - I

Depois de ler a postagem sobre a culinária francesa, a Francieli me pediu para mostrar fotos das comidas daqui. Pois bem, ela me deu a grande idéia de ir colocando fotos exporádicas conforme eu for experimentando e saboreando os pratos daqui. Consequentemente, só vai aparecer os que eu gosto ou os que estarei experimentando :)

Para começar, apresento-lhes a comida mais simples e rápida de preparar, porém apetitosa e de baixo custo daqui. Pão, queijo e vinho. Nesse dia eu não tinha a baguete em casa então substituí por um pão de sanduíche mesmo! Também não sei se, segundo os moldes alimentares franceses, vinho rose combina com esses queijos aí, mas sei que estava muito bom.




A título de curiosidade, o queijo amarelo é um emental que tem uma consistência mais dura e aqueles furos grandes que nem nos desenhos animados :) O queijo que é branco por fora (sim, é uma espécie de mofo) é um brie cuja parte interna é bem molinho e a gente consegue passar no pão. Por fim, o bem branquinho, perto do copo de vinho é da vaca que ri (La Vache qui Rit) e é um polenguinho.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Dia do Patrimônio II

No domingo foi a vez de visitarmos o Forte de Saint-Eynard, construído lã em 1800 e alguma coisa, que fica no topo do monte de mesmo nome pertencente ao Maciço de Chartreuse. Segundo a wikipédia, o ponto mais alto do monte é a 1401 metros, logo o forte fica a mais de 1300 metros. Infelizmente, a vista de lá de cima ficou comprometida pelas nuvens que deixavam ver a paisagem apenas em brechas. Viamos tudo bem pequinininho lá embaixo, deu até para achar o prédio onde trabalho, olha aí na foto! Imagino que a vista num dia sem nuvens deve ser fantástica!

Em virtude do dia do patrimônio, nós pudemos conhecer o interior do forte de graça. Tivemos um senhor super gentil e simpático como guia que foi nos contando um pouco da história do forte. Com ele, descobrimos que o forte não servia para proteger/defender Grenoble, mas sim a região atrás do monte (ele falou o nome mas infelizmente eu esqueci), tanto que o canhão ficava apontado para ela e não para Grenoble. Ele também nos contou que ali era um ponto de comunicação, via sinal luminoso ou telegrafo, entre Grenoble, Lyon e outros fortes no campo de visão.

Ao entrar para conhecer o forte internamente, nos deparamos com reconstituições tal qual era na época em que o forte estava em uso. Isso causava uma impressão bem real, a notar-se pelos ratos e pela plantação de cogumelos (ver baldes no primeiro quadrante da foto) na foto ao lado.

Também não posso deixar de falar do Leon, o simpático e pacato burrinho que mora lá no forte. Além de simpático, ele adorava posar para uma foto! Mas existe um motivo para a presença dele lá. Segundo contou-nos o guia, foram vários deles que levaram o material para a construção do forte e depois todos os suprimentos necessários para os militares que permaneciam no forte. Isso me fez lembrar de mais um detalhe: lá existia uma lista de suprimentos a ser mantida, a qual garantia 3 meses de subsistência no caso de situações críticas.

Bom, resumindo, adorei conhecer um pouco mais da história e a idéia de se ter um final de semana do patrimônio!

domingo, 21 de setembro de 2008

Dia do Patrimônio I

Nesse final de semana aconteceu o Dia do Patrimônio Europeu, onde têm-se livre acesso aos monumentos e prédios históricos. Ou seja, pode-se entrar de graça em museus, castelos e até mesmo conhecer lugares que só são abertos a visitação nessa data. Por indicação de uma amiga que nos alertou para a data (valeu Fabi!!), fomos aproveitar para conhecer um pouco mais da história daqui de Grenoble. Hoje falarei sobre as visitas do sábado, fica para uma próxima postagem falar sobre o passeio de domingo.

Nossas visitas no sábado começaram pelo Museu de História Natural, que infelizmente não pudemos tirar fotos. Nesse museu têm muitos animais empalhados, exemplares de minérios, uma parte sobre fósseis e outra de insetos. Do que mais gostei: a girafa que está com o traseiro e a cabeça virada para a porta, o bisão, o urso, os esquilos e o bichinho que não lembro o nome, mas que mudava a pelagem de branco para o inverno (camuflar na neve) e bege no verão (camufhar com gravetos e folhas secas).


Depois fomos conhecer o prédio da prefeitura do departamento de Isère (região a que Grenoble pertence e é a capital) que só é aberto a visitação pública nessa data. Para mim, esta foi a melhor visita. Passo do lado de fora dele muito frequentemente e nunca imaginei que ele pudesse ser tão bonito por dentro. Exuberante, rico, dourado, bem iluminado, imponente... são alguns dos adjetivos do lugar. Nossa visita foi guiada por uma simpática francesa que ia contanto um pouco da história e do significado de cada peça do prédio. Uma curiosidade está no salão de refeições da foto aí ao lado. O que se vê ao fundo, com o efeito de um espelho na verdade é apenas um vidro que deixa ver os lustres e ornamentos da próxima sala e da depois da próxima. Adorei esse falso espelho!

Por fim, fomos ao Museu Dauphinois, cujo nome vem do Conde de Douphin ou Dolphin (golfinho - símbolo de seu brasão) que era o dono da região lã pelo século XIII. Nesse museo conseguimos ver uns registros da época da criação de Grenoble. Iinfelizmente não conseguimos ver muito mais que isso pois ele estava fechando, mas ficou a foto ao lado que é do pátio interno do museu.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Neve!




Nessa semana já pode-se ver neve nas montanhas. Com a chegada de uma frente fria nevou no topo das montanhas como vê-se na foto. Dizem que não é a primeira vez, que em agosto também nevou, mas eu não estava em Grenoble para ver.

Nessa semana que passou a temperatura chegou a menos de 7 graus (mínima registrada por mim ao chegar no laboratório!). Mas isso não é nada perto do que está por vir!

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Comportamento meteorológico

Desde que cheguei aqui é a segunda vez em que acontecem chuvas com areia do deserto do Sahara. Isso parece mentira, mas não é! A explicação é que dependendo da condição dos ventos e etc mais e tal, nuvens que vêm do deserto carregas de areia chegam até aqui. Olhando num mapa, isso até que é bem viável já que as nuvens "" precisam atravessar o mediterrâneo e já estão quase aqui. Durante a precipitação da chuva a areia fica visível, em especial sobre os carros. Fica tudo sujo, como se tivesse tido um núvem de poeira e uma garoa por cima só para fazer a poeira grudar.

Para fechar com chave de ouro essa postagem sobre as curiosidades naturais daqui, há 2 dias que o rio Isère tem feito um belo espetáculo. Uma camada de neblina tem estado concentrada sobre o curso do rio num trecho que passo diariamente para ir até o meu laboratório. Não sei explicar o porquê, mas achei muito bonito, tanto que resolvi compartilhar com vocês nas fotos abaixo. A segunda foto é de cima da ponte que aparece na primeira.


segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Com que roupa!!

Para ir a praia, os franceses colocam suas roupas de banho (sunga, calção, biquini ou maiô) e por cima roupas normais (ou seja, roupa de ir no super mercado, roupas cotidianas). Ao chegar na praia eles tiram as roupas normais, aproveitam a praia e na hora de ir embora tornam a vestir as roupas normais. Tem uns até que levam sabonete líquido e tomam um banho de verdade nas duchas da praia. Mesmo quem mora pertinho se veste com roupas normais para fazer o percurso de casa até a praia. Se eles estão na praia, faltou alguma coisa e precisam ir até o bodega que fica logo alí, do outro lado da rua, eles colocam a roupa e vão. Se forem fazer uma caminhada no calçadão na beira da praia, com certeza não estarão só de roupa de banho.

É uma questão de costume. Tal qual o de fazer topless. Muitas mulheres fazem topless aqui, não todas, mas uma boa quantidade é adepta do bronzeado parelho, sem marcas de biquini. Como eu já havia dito numa outra postagem, não são só as mulheres com seios perfeitos que os expõem com naturalidade. Tem de tudo, de guria novinha a senhoras, passando pelas mães acompanhadas de suas famílias. A maioria dos homens na praia parecem não se abalar com os peitos expostos. Mas já vi uns metidos a engraçadinhos que entre risinhos e cochichos fitavam de forma muito inconveniente uma adepta do bronzeamento parelho.

A grande maioria das mulheres européias (digo européias porque em Nice tem gente de toda parte) usa biquini. Independente se está 100% em forma ou não, se tem 16 ou 61 anos. Está certo, os biquinis daqui tem mais pano do que os do Brasil, mas é adotado por praticamente todas. Me perguntei o porquê que eu só uso maiô e tomei uma decisão: minha próxima roupa de banho será um biquini. Estou aprendendo a dar ainda menos importância ao que os outros pensam. Quem sabe se eu morasse uns 3 ou 4 anos aqui eu não me tornaria adepta do topless!?

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Os franceses e o banho

Revendo os temas abordados no blog, percebi que ainda não falei sobre a grande fama francesa: a de não tomar banho. Em primeiro lugar, é preciso dizer que os franceses tomam banho, sim. Talvez não com a mesma frequência ou nos mesmos horários que nós brasileiros, mas eles tomam banho, sim. Pelo que pude observar do comportamento francês, eles geralmente tomam banho pela manhã. Isso quer dizer que, em muitos casos, se eles fizerem uma atividade física durante o dia e suarem, como esquiar por exemplo (a gente sua muito dentro daquela roupa), eles só vão tomar banho no dia seguinte, logo dormirão suados mesmo. Mas não se pode generalizar. Por exemplo, os colegas de laboratório franceses que vão de bicicleta assim como eu, tomam banho antes de começar a trabalhar. Logo, nem todo o francês cheira mau.

Em compensação, os que cheiram mau (sim, porque eles existem!!) acredito eu que seja muito mais por conta das roupas que da falta de banho. Eles usam a mesma roupa durante muito tempo daí dá a impressão de que são as roupas que cheiram mau. E ainda tem a categoria dos que devem ter algum problema glandular, porque sempre cheiram mau. Se bem que essa última categoria deve existir no mundo todo, conheci vários aí no Brasil mesmo.

Para fechar é preciso dizer que em toda a loja que venda toalhas, tem também aquela luvinha atoalhada... como a da imagem ao lado. Eu nunca tive certeza se ela serve para ajudar no banho, como uma daquelas buchas, ou se é para se tomar um banho de gato. Pensando bem, deve ser para as duas coisas, cada um escolhe o uso que lhe convém.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Ahh Timmmm...

Existe uma forte curiosidade envolvendo espirros e assoadas de nariz por aqui. Para os franceses, espirrar em ambiente público é quase uma falta de educação. O motivo é que uma grande quantidade de germes são expelidos para o mundo no espirro e o mundo pode pegar a pereba da pessoa que espirrou. Logo, o que se vê são pessoas prendendo espirros, ou quando não conseguem falando um "Excuse moi, désolé!" (sim, não poderia faltar o désolé!). Eu, particularmente não prendo espirros, na verdade, nem lembro que "deveria" prendê-los. Por conta disso, já fui fulminada por olhares repreendedores dentro dos coletivos várias vezes. Mas o ápice foi no desfile do 14 de julho quando a mulher que estava na minha frente virou-se assustada (com olhos bem arregalados!!) depois que espirrei atrás dela. Quase me senti uma criminosa!

Em compensação, as pessoas aqui não fazem a menor cerimônia para assoar o nariz. Independente do lugar, da hora ou da situação, eles pegam seu lenço de pano (o mesmo vale para os de papel) que estava embolado no bolso e brincam de imitar o elefantinho, ou melhor, o elefantão. Particularmente, assoar o nariz e sair apertando a mão ou pegando em objetos que todo mundo pega não me parece a coisa mais asséptica que existe... mas tudo bem. O bom, é que toda a vez que preciso assoar o nariz penso: "Não vou fazer muito barrulho para não incomodar ninguém... ahhh, mas aqui ninguém se importa!! que nem o elefantinho, vamos lá!!".

Para completar a saga dos espirros versus assoadas de nariz, preciso contar sobre um cartaz, fornecido pela prefeitura, que vi no meu laboratório. Nele, tem dicas caso você não esteja doente, tais como lavar bem as mãos e etc mais e tal. E, também, dicas caso você já tenha sido contaminado. Daí eles aconselham que as pessoas usem máscaras em ambientes públicos (sabe aquelas que as pessoas usam para trabalhar em ambientes com muita poeira? estas mesmo) que devem ser descartadas depois do uso, além de assoar o nariz e lavar as mãos depois. Fiquei impressionada com o cartaz, mas pelo menos agora vou entender melhor quando achar alguém de máscara por aí.