domingo, 5 de outubro de 2008

Cave de la Chartreuse

Ando relapsa com o blog, mas tentarei voltar a ser mais ativa.

Hoje quero contar sobre a visita que fiz a Cave de la Chartreuse que visitei na semana passada. Cave, nesse contexto, é adega e Chartreuse, além de ser o nome de uma cadeia de montanhas é o nome de um licor francês. A receita desse licor foi desenvolvida lãã em 1605 por monges que habitavam num mosteiro nas montanhas e é mantida em segredo até hoje. A receita é uma mistura de ervas e flores (em torno de 130) que dão um gosto característico e peculiar ao licor que pode ser verde ou amarelo conforme a combinação de ervas.

Tudo começou quando os monges resolveram construir o mosteiro nas montanhas em 1084, mas logo viram que ia ser difícil mantê-lo somente com a caça, pesca e o que a montanha oferecia para subsistência. Então primeiro os monges retiravam minérios de minas que existiam nas montanhas e quando este acabou, passaram a cortar e vender madeira. Quando o desmatamento foi proibido na região os monges usaram o conhecimento e estudo que tinham sobre ervas e desenvolveram a receita do licor. Garrafas do licor eram levadas no lombo de mulas do monastério até Grenoble e vendidas para militares e senhores da corte como um elexir da vida.
Em pouco tempo o licor tornaria-se famoso nacional e internacionalmente.

Nisso, veio a ruptura entre o estado e a igreja e os monges foram expulsos do mosteiro, levando a receita para um outro mosteiro na espanha. Passada a crise, os monges voltaram. Houve mais umas trocas de cidades até que em 1930 a Cave que fomos visitar fosse inaugurada (foto) em Voiron. Ela é a maior cave de licor do mundo, segundo a explicação da nossa guia. A ripa branca tem um cano transparente que mostra a quantidade de licor dentro da pipa. Os baldinhos são para conter as gotas dos vazamentos!! O cheiro do local é aquele cheiro que quem já visitou um alambique sabe qual é misturado com um cheiro de ervas.

A visita é bem interessante e gratuíta. Cada grupo de pessoas sai com uma moçinha para explicar e tirar dúvidas. A primeira atividade é ver um video que conta a história do pergaminho com a receita. Depois percorre-se a cave, ida e volta, em toda a sua extensão ( foto). Em seguida assiste-se um outro video que conta a história do mosteiro até chegar na cave atual em Voiron. Só que este útimo é em 3D e visto com um óculos especial, o que o deixa bem interessante! Saíndo do video visita-se o alambique e descobre-se que as ervas vêm mosteiro já separadas conforme o tipo do licor, são trituradas no andar acima e caem por tubos para os alambiques. Ou seja, visitamos mas não vimos um raminho de erva sequer! Depois vem a tão esperada degustação! A saída da sala de degustação é por uma loja onde tem uma série de idéias de presentes além dos licores, obviamente.

Aproveitamos também para andar pela cidade e tirar algumas fotos das construções antigas. Em resumo, foi um passeio bem interessante e super econômico.

domingo, 28 de setembro de 2008

No Supermercado

Toda vez que vou ao supermercado, lembro que preciso contar aqui que os produtos da marca do supermercado são muito bons aqui. O que nem sempre acontece no Brasil. Um bom exemplo é o iogurte. No Brasil, os iogurtes da marca Carrefour por exemplo eram uma verdadeira "aguarela" e virado em corante e gosto artificial. Aqui, encontram-se iogurtes, também da marca Carrefour, que tem concistência de iogurte, gosto de iogurte e até pedaços de frutas!!

Foi uma surpresa boa descobrir isso. Na verdade, alguns amigos que moravam aqui a mais tempo me alertaram: "tu pode comprar os produtos da marca do supermercado que vai ser bom e mais barato!".

Possivelmente, os produtos da marca do supermercado não sejam o supra-sumo do que há em matéria de paladar, mas para o meu está de muito bom tamanho. E o meu bolso agradece!

sábado, 27 de setembro de 2008

O que se come por aqui - I

Depois de ler a postagem sobre a culinária francesa, a Francieli me pediu para mostrar fotos das comidas daqui. Pois bem, ela me deu a grande idéia de ir colocando fotos exporádicas conforme eu for experimentando e saboreando os pratos daqui. Consequentemente, só vai aparecer os que eu gosto ou os que estarei experimentando :)

Para começar, apresento-lhes a comida mais simples e rápida de preparar, porém apetitosa e de baixo custo daqui. Pão, queijo e vinho. Nesse dia eu não tinha a baguete em casa então substituí por um pão de sanduíche mesmo! Também não sei se, segundo os moldes alimentares franceses, vinho rose combina com esses queijos aí, mas sei que estava muito bom.




A título de curiosidade, o queijo amarelo é um emental que tem uma consistência mais dura e aqueles furos grandes que nem nos desenhos animados :) O queijo que é branco por fora (sim, é uma espécie de mofo) é um brie cuja parte interna é bem molinho e a gente consegue passar no pão. Por fim, o bem branquinho, perto do copo de vinho é da vaca que ri (La Vache qui Rit) e é um polenguinho.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Dia do Patrimônio II

No domingo foi a vez de visitarmos o Forte de Saint-Eynard, construído lã em 1800 e alguma coisa, que fica no topo do monte de mesmo nome pertencente ao Maciço de Chartreuse. Segundo a wikipédia, o ponto mais alto do monte é a 1401 metros, logo o forte fica a mais de 1300 metros. Infelizmente, a vista de lá de cima ficou comprometida pelas nuvens que deixavam ver a paisagem apenas em brechas. Viamos tudo bem pequinininho lá embaixo, deu até para achar o prédio onde trabalho, olha aí na foto! Imagino que a vista num dia sem nuvens deve ser fantástica!

Em virtude do dia do patrimônio, nós pudemos conhecer o interior do forte de graça. Tivemos um senhor super gentil e simpático como guia que foi nos contando um pouco da história do forte. Com ele, descobrimos que o forte não servia para proteger/defender Grenoble, mas sim a região atrás do monte (ele falou o nome mas infelizmente eu esqueci), tanto que o canhão ficava apontado para ela e não para Grenoble. Ele também nos contou que ali era um ponto de comunicação, via sinal luminoso ou telegrafo, entre Grenoble, Lyon e outros fortes no campo de visão.

Ao entrar para conhecer o forte internamente, nos deparamos com reconstituições tal qual era na época em que o forte estava em uso. Isso causava uma impressão bem real, a notar-se pelos ratos e pela plantação de cogumelos (ver baldes no primeiro quadrante da foto) na foto ao lado.

Também não posso deixar de falar do Leon, o simpático e pacato burrinho que mora lá no forte. Além de simpático, ele adorava posar para uma foto! Mas existe um motivo para a presença dele lá. Segundo contou-nos o guia, foram vários deles que levaram o material para a construção do forte e depois todos os suprimentos necessários para os militares que permaneciam no forte. Isso me fez lembrar de mais um detalhe: lá existia uma lista de suprimentos a ser mantida, a qual garantia 3 meses de subsistência no caso de situações críticas.

Bom, resumindo, adorei conhecer um pouco mais da história e a idéia de se ter um final de semana do patrimônio!

domingo, 21 de setembro de 2008

Dia do Patrimônio I

Nesse final de semana aconteceu o Dia do Patrimônio Europeu, onde têm-se livre acesso aos monumentos e prédios históricos. Ou seja, pode-se entrar de graça em museus, castelos e até mesmo conhecer lugares que só são abertos a visitação nessa data. Por indicação de uma amiga que nos alertou para a data (valeu Fabi!!), fomos aproveitar para conhecer um pouco mais da história daqui de Grenoble. Hoje falarei sobre as visitas do sábado, fica para uma próxima postagem falar sobre o passeio de domingo.

Nossas visitas no sábado começaram pelo Museu de História Natural, que infelizmente não pudemos tirar fotos. Nesse museu têm muitos animais empalhados, exemplares de minérios, uma parte sobre fósseis e outra de insetos. Do que mais gostei: a girafa que está com o traseiro e a cabeça virada para a porta, o bisão, o urso, os esquilos e o bichinho que não lembro o nome, mas que mudava a pelagem de branco para o inverno (camuflar na neve) e bege no verão (camufhar com gravetos e folhas secas).


Depois fomos conhecer o prédio da prefeitura do departamento de Isère (região a que Grenoble pertence e é a capital) que só é aberto a visitação pública nessa data. Para mim, esta foi a melhor visita. Passo do lado de fora dele muito frequentemente e nunca imaginei que ele pudesse ser tão bonito por dentro. Exuberante, rico, dourado, bem iluminado, imponente... são alguns dos adjetivos do lugar. Nossa visita foi guiada por uma simpática francesa que ia contanto um pouco da história e do significado de cada peça do prédio. Uma curiosidade está no salão de refeições da foto aí ao lado. O que se vê ao fundo, com o efeito de um espelho na verdade é apenas um vidro que deixa ver os lustres e ornamentos da próxima sala e da depois da próxima. Adorei esse falso espelho!

Por fim, fomos ao Museu Dauphinois, cujo nome vem do Conde de Douphin ou Dolphin (golfinho - símbolo de seu brasão) que era o dono da região lã pelo século XIII. Nesse museo conseguimos ver uns registros da época da criação de Grenoble. Iinfelizmente não conseguimos ver muito mais que isso pois ele estava fechando, mas ficou a foto ao lado que é do pátio interno do museu.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Neve!




Nessa semana já pode-se ver neve nas montanhas. Com a chegada de uma frente fria nevou no topo das montanhas como vê-se na foto. Dizem que não é a primeira vez, que em agosto também nevou, mas eu não estava em Grenoble para ver.

Nessa semana que passou a temperatura chegou a menos de 7 graus (mínima registrada por mim ao chegar no laboratório!). Mas isso não é nada perto do que está por vir!

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Culinária Francesa

A culinária francesa é bastante famosa. Segundo a Wikipédia ela compreende uma grande variedade de pratos e goza de grande prestígio no mundo, principalmente no ocidente. Particularmente, eu gosto bastante dos queijos, os vinhos são uma delícia, o pão francês também é bom desde que consumido no mesmo dia em que foi comprado como eu já expliquei anteriormente. Além disso, gosto muito da tartiflette (uma espécie de torta de batata inglês com queijo bem gostosa!), da raclete (um queijo que a gente derrete e come com batata) e o fondue. Por coincidência ou não, são todos pratos com queijo!

Pois é, mas esses pratos que eu citei aí em cima não são para se comer todos os dias. E é no dia-a-dia que vem o maior impacto. A comida francesa tem menos sal, menos açúcar, menos gordura... e consequentemente totalmente sem gosto para nós brasileiros! No restaurante do meu laboratório, o sal e a pimenta ficam nas mesas para que cada um escolha a sua dosagem. No início, eu forrava meu prato de sal e pimenta, agora já consigo colocar menos, mas ainda precisa de um pouco para "dar" um gostinho. O que salva também são os sachês de mostarda e catchup que viraram acompanhamento indispensável no almoço. Mas se for usar catchup é bom saber que se algum francês vê, ele vai ter um faniquito e dizendo que tu estragou a comida. Pior que catchup, só se almoçar tomando coca-cola, daí sim, é o maior pecado do mundo!!

Mas por outro lado, as refeições francesas sempre têm legumes e verduras. No início é estranho, mas agora até sinto falta se não tem pelo menos um tipo de legume no meu prato. Tenho até meus preferidos: o ratatouille que são legumes (basicamente: beringela, abobrinha, cebola, tomate e pimentão) picados ensopados num molho bem bom, as couves de bruxelas refogadas (parecem repolhinhos bem pequenininhos), a pasta de espinafre (feia, bem feia, mas boa) e a jardineira com couve-flor, cenoura e vagem.

Também aprendi quais sobremesas são doces e quais entre as que não são tão doces que me agradam. Por exemplo: o mouse de chocolate que não é tão doce mas é muito bom, o creme brulée que é um pudinzinho com açúcar queimado e tudo (um dos doces mais doces do laboratório), uma trouxa com a massa do crepe recheada de chantilly com uma fruta surpresa e também, agora que é época de figo, anda tendo um monte de tortas com figo bem boas!

Em resumo, foi preciso adaptar-se aos hábitos alimentares franceses, com tudo que eles tem de bom e de ruim.




quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Comportamento meteorológico

Desde que cheguei aqui é a segunda vez em que acontecem chuvas com areia do deserto do Sahara. Isso parece mentira, mas não é! A explicação é que dependendo da condição dos ventos e etc mais e tal, nuvens que vêm do deserto carregas de areia chegam até aqui. Olhando num mapa, isso até que é bem viável já que as nuvens "" precisam atravessar o mediterrâneo e já estão quase aqui. Durante a precipitação da chuva a areia fica visível, em especial sobre os carros. Fica tudo sujo, como se tivesse tido um núvem de poeira e uma garoa por cima só para fazer a poeira grudar.

Para fechar com chave de ouro essa postagem sobre as curiosidades naturais daqui, há 2 dias que o rio Isère tem feito um belo espetáculo. Uma camada de neblina tem estado concentrada sobre o curso do rio num trecho que passo diariamente para ir até o meu laboratório. Não sei explicar o porquê, mas achei muito bonito, tanto que resolvi compartilhar com vocês nas fotos abaixo. A segunda foto é de cima da ponte que aparece na primeira.


segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Tutti buona gente!!!

Os italianos são muito atenciosos com os turistas. Tudo bem, é preciso considerar que eu estou entre franceses que são tradicionalmente conhecidos por sua falta de paciência com turistas/estrangeiros. Mesmo assim, continuo achando os italianos super acolhedores. Quando eu for visitar outros países vou ter mais parâmetros para comparar. Por hora, fiquei encantada com os italianos que estavam sempre prontos para nos indicar direções, oferecer um mapa, sugerir um lugar para comer, enfim, essas coisinhas que fazem a diferença numa viagem. Claro, sempre tem os azedos, acho até que eles existem em qualquer lugar do mundo (por exemplo um funcionário de um estacionamento que nos ralhou de graça com aquele jeito espalhafatoso que só os italianos tem), mas quem não tem os seus dias de azedume?!

Falando em Itália, a comida italiana é ótima. Está certo, o tempero italiano é bem mais próximo do tempero da minha mãe (descendente de italianos) do que o daqui da França. Talvez isso tenha contado bastante, mas como tem mais gente que concorda comigo sem ter provado a comida da minha mãe, continuo achando a comida italiana melhor que a francesa! (No futuro falarei melhor sobre como é a famosa comida francesa.)

Por outro lado, a França parece mais bem organizada que a Itália. É difícil explicar, mas as cidades francesas parecem visualmente mais organizadas que as italianas, talvez seja só impressão, mas que parece, parece. Já ouvi também muitas reclamações sobre o sistema de transporte italiano que atrasa bastante. Como viajamos de carro, eu não tenho parâmetros nesse ponto. O que vimos de carro foram alguns trechos de estrada onde era difícil saber qual era o limite de velocidade, faltavam algumas placas, ou sobravam, sei lá. Também presenciamos alguns exemplares dos famosos motoristas italianos que fazem direção ofensiva, mas tudo foi devidamente contornado.

Bom, essas foram as minhas principais impressões sobre a Itália na ótica de turista que fui. Sei que ela seria diferente se eu morasse lá, mas como turista eu gostei muito da terrinha dos meus antepassados.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Fotos das férias

Finalmente terminei de organizar, legendar e situar no mapa as fotos das férias. Os links são:
Quem quiser dar uma olhada, sinta-se a vontade!